Tea Road | 01 de outubro de 2020 | por Daniela Souza

Quando vemos a lua cheia bem bonita, muitas vezes nossa primeira atitude é tentar fotografá-la, missão bastante difícil, não é verdade? Em tempos digitais, postamos e mostramos tudo o que nos toca. E o resultado disso pode não ser positivo. Quantas vezes deixamos de apreciar o momento ou contemplar verdadeiras obras de arte da natureza? O festival Tsukimi é um ritual que propõe uma atitude bem diferente dessa. O momento de admiração à lua é tranquilo, silencioso e introspectivo. O festival gira em torno da celebração da lua cheia mais bonita do outono japonês. A lua, acredita-se, possui poderes e energia espiritual, por isso ela é enaltecida. O Tsukimi (🎑)é um momento para expressar gratidão e esperança.

Nesse texto, vamos falar sobre o Tsukimi e propor práticas simples para a gratidão e a felicidade!

aorigem do ritual

Tsukimi é um festival milenar. A tradição, de origem chinesa, foi incorporada aos costumes japoneses durante o período Heian (794-1192), por aristocratas e pessoas da realeza. O ritual incluía a leitura de poemas e a composição de músicas em homenagem à lua. Muitas vezes, a elite se reunia em embarcações para admirar o reflexo da lua nas águas do mar. Atualmente, o Tsukimi ainda preserva o caráter de veneração, respeito e reflexão.

O contexto

A melhor ocasião para observar a lua é na décima quinta noite do oitavo mês do calendário lunar. No calendário gregoriano, o festival da lua cheia de outono acontece entre o fim de setembro e início de outubro. Este período coincide com o fim das colheitas. Neste ano, acontece hoje, dia 01 de outubro. A lua desse dia, considerada a mais bela e brilhante do ano, é conhecida como “lua do meio do outono”. Nesta data, as pessoas se reúnem, em pequenos grupos, em locais onde a lua é mais visível, em varandas ou jardins. O ritual também pode acontecer em espaços de cerimônia do chá. Esses lugares são decorados com flores de outono e capim-dos-pampas, a planta, bonita e elegante, é uma oferenda à lua, como sinal de agradecimento. Depois do ritual a planta é levada para dentro de casa, como um amuleto de proteção.

as comidas tradicionais

Durante o Tsukimi, alguns alimentos típicos são servidos como oferendas à lua. Também decorativos, Tsukimi-dango são pequenos bolinhos de arroz branco dispostos em forma de pirâmide em uma bandeja. Bolinhos de arroz doce conhecidos como mochi, símbolo de felicidade e boa saúde, são ornamentados ou esculpidos em formato de coelho. O coelho é o maior símbolo da tradição Tsukimi.  Outros alimentos sazonais são cuidadosamente organizados, tais como como castanhas e batata doce, edamame e saquê. A refeição é apreciada e compartilhada como uma expressão de gratidão pelas colheitas.

 Um momento de gratidão

O ritual Tsukimi é marcado pelo silêncio, paz e introspecção.  O momento de ver a lua leva à reflexão e à gratidão. O que essa tradição pode nos ensinar? O Tsukimi pode nos inspirar a criar hábitos de gratidão associados à lua. A gratidão está intimamente relacionada à felicidade, pois gera um sentimento de bem estar. É muito comum associarmos a felicidade a conquistas futuras, realizações que estão por vir. Assim, sempre empurramos a felicidade para depois, ela se torna muito mais uma expectativa a ser cumprida do que um sentimento que nos preenche. Ao sermos gratos deixamos de nutrir a esperança de felicidade e somos felizes no aqui e agora.

O líder religioso japonês Masaharu Taniguchi ensina:

Expresse gratidão com palavras e atitudes. Sua vida mudará muito de modo positivo.”

Por isso, listamos 3 rituais para a gratidão pelas pequenas coisas:

  1. Escreva um diário: ao invés de ficar imaginando o que você precisa fazer ou alcançar, atenha-se ao que você já fez, ao que você conquistou e às pequenas vitórias diárias.
  2. Prepare um momento para apreciar sua própria companhia. Acenda uma vela de jasmim.  Prepare um chá relax, ele ajuda a acalmar e relaxar, alivia o estresse, combate a ansiedade. Concentre-se em você, seja grato pelo por este instante de paz.
  3. Aprecie a lua e relembre sua história. A versão de você de cinco ou dez anos atrás estaria orgulhosa do que você se tornou hoje, de sua caminhada. Quantas vezes você fez seu melhor dentro das possibilidades que tinha naquele momento? Você é a sua melhor versão de si mesmo!